Este blog tem como finalinade prescípua divulgar as atividades relacionadas à matéria "Oficina de Leitura e Escrita" (OLE), tendo como conteúdo os contos com quebra de expectativa criados pelos alunos da Professora Acácia Angélica Monteiro.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O elixir da minha vida



Alguns dias atrás, entre as sombras da noite caçando meu alimento, já desanimado; por muitos dias eu não encontrava algo que suprisse a minha necessidade, estava faminto, eu finalmente encontrei. Encontrei o que eu realmente precisava...

Aquele vermelho escuro, quente e doce! Sim, era o que a minha fome ansiava o que me traria força. Eu comecei a chupá-lo e não conseguia mais parar. Eu não queria parar; eu não podia.

Finalmente havia conseguido achar a fonte do líquido maravilhoso. Eu entrava em êxtase ao sentir meus dentes rasgando seu “envoltório” e deixava cair em minha boca, denso e revigorante.Meu corpo treme de ansiedade só de sentir o seu cheiro; passar se quer um dia sem ele é como estar no fogo, pois queima-se tudo por dentro.

Como não poder sentir seu adocicado sabor? Seu cheiro estimulante? Não posso. Uma vez experimentado e o vício domina-te. Um vício feroz...
Hoje estou fraco, triste, faminto e inconsolável. Não consigo encontrar meu elixir, minha certeza de saciedade.

Será o fim?! Depois da certeza de que ao bebê-lo, ao conhecer seu delicioso gosto, mesmo que as vezes picante, isso nunca mais me aconteceria. Mesmo procurando desesperadamente, eu não consigo achá-lo, então uso a última alternativa.

- Manhêeee, onde é que estão os sachês de catchup? Não to conseguindo achar nenhum. Hein, mãe?! Fala!

- Ah, filho, acabaram. Seu irmão usou o último no cachorro-quente agorinha. Vai ter que ficar sem porque eu sou vou às compras semana que vem.

Escrito por: Ana Lúcia Silva

Escolhas e recomeço



Após anos trabalhando em seu emprego, Carlos fora demitido, sem justa causa, uma causa injusta. Não conseguia acreditar no que acabara de ocorrer, pensava em seus filhos, na mulher, nas dívidas, um segundo, e um choro, chorava feito menino, pois, agora estava desempregado e não sabia como contaria a família.

Ao conter o choro, um sentimento de revolta surgiu e o fez pensar em algo que o livraria da angustia e da dor de não ter mais um emprego. Seria momentâneo, mas se fizesse corretamente não lhe causaria nada. Estava suado, tenso, sentia-se perdido, parecia ter o peso do mundo em suas costas, já não aguentava mais o incomodo da arma na sua cintura e a sacou, era uma pistola que havia ganho de um amigo em tempos que não tinha dinheiro nem pra comprar um pão, foi com a ajuda dela, inclusive, que conseguiu trazer um pouco de dinheiro para casa, Carlos observava a arma, pensando se valeria a pena fazer o que tinha em mente, sentado a horas naquela mesa de bar, tomando em cada copo mais uma dose de coragem, a arma posta ao lado do copo prendia sua atenção.

A cada hora que passava Carlos suava mais frio, já estava decidido sobre o que iria fazer. Naquela tarde, ele voltaria pra casa com dinheiro. Carlos Põe a arma novamente na cintura, levanta-se, paga a conta, toma um ar e sai do bar. La fora para na porta e observa crianças, na rua brincando de polícia e ladrão. Que irônico, ele pensa. Apenas uma brincadeira de crianças. Carlos abaixa a cabeça, pensa nos filhos. O que eles iriam comer agora? E sua mulher, como iria receber a notícia?

Com os olhos e rosto ainda vermelhos do choro, Carlos vê seu reflexo em uma vitrine de loja e envergonha-se, mas se mantêm confiante e decidido, e logo começa a caminhar em direção ao banco, o velho banco que mais parecia sua casa, onde ele sempre sacava seu dinheiro suado.

Parado diante da porta do banco, Carlos pensa no que iria dizer e como iria fazer, teria que ser rápido para não voltar atrás. Respira fundo, tira a pistola da cintura, tremendo um pouco, ele se esquece e passa pela porta, é soado o alarme e a porta trava. Ao longe um dos seguranças o reconhece, destrava a porta, Carlos o entrega a arma, saca o seu ultimo pagamento e na saída se despede do segurança, seu antigo colega de trabalho.


Escrito por: Kelvin Kitazawa.

Recomeço



Era outono. As folhas secas cobriam o chão do principal parque da cidade. Os galhos das árvores estavam nus, todas as copas haviam desaparecido. O sol brando anunciava o fim da tarde. Zusak estava comigo. Costumávamos ir até lá todas as tardes depois da aula.

Caminhávamos juntos quando uma multidão rompeu a calmaria do parque com seu coro de protestos. Era uma passeata. Aconteciam muitas delas por aqui. De repente, em pleno caos, o perdi de vista. Corri o parque com os olhos, em busca dele, mas não o via em lugar algum.

Já cansada, voltei para casa. O pensamento ainda nele. Um filme passou em minha mente de forma involuntária. Fez-me lembrar o quanto vivi ao lado daquele que sempre me acompanhava. Em pouco tempo, ele havia se tornado essencial! Recordei os nossos momentos, a sua companhia, de irmos juntos a tantos lugares, de como me perdia em pensamentos quando estava ao seu lado, do quanto que aprendi com ele e como ele conseguia ser medonho e glorioso e ter palavras amaldiçoadas e ao mesmo tempo brilhantes.

Pensei em como ele deveria estar se sentindo. Sozinho por aí. Era novo na cidade, não a conhecia bem. Havíamos sido apresentados em meu aniversário e desde então, andávamos sempre juntos. Vencida pelo cansaço adormeci. Estava decidida a procurá-lo no dia seguinte. Ele certamente estaria por lá.

Quando cheguei ao parque no outro dia, fui a procura do último lugar em que o havia visto, no momento em que o perdi de vista. Qual não foi minha surpresa quando o percebi ao lado de um banco próximo. Fitei-o de longe numa espécie de reconhecimento.

Segui em sua direção, movendo-me lentamente. O coração pulsava, minhas mãos, agora frias, suavam e não consegui reprimir um sorriso. Ao chegar, continuei a fitá-lo. Não queria piscar os olhos para não perder o momento. Sentei-me ao seu lado, ele descansava no gramado do parque. Toquei-o, sentindo sua textura, cada ranhura que só eu conhecia.

Permaneci em silêncio por um tempo. Por força do hábito, puxei-o para meus braços, apertando-o contra o peito. Então, tive certeza, que voltaríamos a ser apenas um novamente.

Escrito por: Daniela Nascimento.

O banco



Era uma tarde de quarta-feira faltava 50 minutos para fechar o banco.

Estava a um metro do banco pensei em desistir, mas eu tinha que fazer isso. Cheguei mais perto do banco e percebi que haviam poucas pessoas. Tomei coragem e entrei, alguns clientes olharam para mim, inclusive também a atendente Flávia. Então, resolvi sair.

Fiquei alguns minutos no lado de fora. Não podia desistir afinal planejei isso já faz muito tempo. Estava muito nervoso, minha mãos estavam tremendo. Respirem fundo e pensei que não tinha como dar errado.

Comecei analisar minha estratégia de como abordaria a atendente Flávia. Ela era sempre pontual, dificilmente se atrasava para chegar ao banco. Estava com muito medo de como ela reagiria ao meu plano.

Como eu morava perto do banco, vi o horário que tinha pouca movimentação assim ficaria mais fácil conseguir o que tanto desejava.

Entrei novamente no banco e vi que não tinha mais nenhum cliente, só tinha a atendente Flávia que estava contando o dinheiro. Fiquei mais aliviado ao vê-la sozinha, pois não queria fazer isso na frente dos clientes. Fui até ela, apesar que meu coração batia cada vez mais forte. Então eu disse:

- Flávia quer casar comigo?

Escrito por: Juciane Oliveira.

Ninguém entenderia



De manhã acordei bem cedo e lá estava ele tão radiante e sorrindo para mim, que mal pude deixar de reparar. Seu olhar era reluzente e tão fixo que me tomava por completa, sua força, seu calor eram tão aconchegantes, que logo me seduziu e eu, sem forças, me deixei envolver em seus braços.

No dia seguinte acordei mais disposta, senti que o ar estava diferente, mais puro, calmo, sereno, mais do que antes e lá estava ele novamente, me esperava no café da manhã, e com todo entusiasmo me deu bom dia, eu podia sentir meu coração mais alegre, e logo pude perceber que não estava mais sozinha, que a escuridão da noite tinha ido embora e logo deixara passagem para um novo dia, dia esse que ele certamente estaria me esperando, chegando com mansidão, esperando que eu abrisse os meus olhos e acordasse.

Lembro que ontem minha respiração estava mais ofegante e o meu corpo transpirava muito, naquele dia mal podia esperar o tamanho do entusiasmo contagiante que ele me envolveria. Eu certamente não entendia como um gesto tão comum me chamaria tanta atenção, essa sensação tão confortável me deixou tão fixada nele como se eu precisasse de sua presença para viver, realmente aquelas manhãs de verão estavam realmente diferentes.

Minhas mãos suavam tanto, mas não me incomodava porque eu sabia que isso era normal diante daquilo que ele despertou em mim, mas como disfarçar para os outros? Como eles entenderiam o que estava acontecendo, se para mim era complicado entender algo que não sentia antes, ou melhor, senti, mas com menor intensidade e agora então era mais forte e de tão forte tirava as minhas forças, envolvia todo o meu corpo, me aquecia e ao mesmo tempo queimava a minha pele.

E essa terrível sensação que eu tinha que todos estavam percebendo a minha reação, eu não conseguia fingir que nada estava acontecendo, era algo involuntário, forte, ardente. O meu coração fica mais alegre todas as vezes que ele estava presente, mas ele não pode ficar o tempo todo comigo, o dia acaba e ele vai embora. Mais um dia chegou ao fim e eu fiquei aqui na esperança de encontrá-lo novamente, no mesmo horário de hoje.

Outro dia quente, mais do que de costume, então imaginei: “como ele está bonito!” como se precisasse chamar a minha atenção. Passamos todo o tempo juntos na praia, aproveitei cada hora, afinal de contas ele estava aqui e foi muito bom, mesmo com a ameaça da chuva e das nuvens escuras que insistiam em nos afastar... Pensei em voz alta: “Os céus o trouxeram especialmente para mim, para iluminar os meus dias!” Agradeci muito e tamanha foi a felicidade que saía de mim, que todos ao meu redor se contagiaram e intrigados diziam: “Esta menina deve estar apaixonada!” e eu não dizia nada, eu não sabia explicar o porquê dessa minha alegria, há anos não sentia algo assim, o que me motivava mais ainda.

Eu tinha esperado viver dias como esses o ano inteiro, tinha certeza de uma coisa, alguns podiam achar uma besteira isso, de fato eles não conseguiriam entender como alguém pode ficar tão feliz assim se era apenas o sol mais uma vez, isso porque eles não estavam na minha pele.

Autora: Jeanne Machado de Souza.

Saudades



Ela estava sempre lá, presente em quase todas as ocasiões, nos momentos tristes e festivos. Todos estavam sempre a sua volta, deveria ter pelos meus cálculos uns 70 anos de convívio entre nos.

Eu na minha infância brinquei meus filhos também e até meu primeiro neto, teve o prazer de conhecê-la, mesmo que por pouco tempo.

Hoje, com os anos passados, sua aparência não é, mas a mesma parece velha e fora de moda, diante dos padrões de beleza de hoje em dia, mas, mesmo assim guarda em seu interior toda sua beleza altiva.

Vou sentir falta de tudo, porem principalmente dela que ocupava um espaço muito grande em meu coração e em minhas memórias, penso enquanto mais poderia tê-la aproveitado, mas agora é tarde.

O inventário foi resolvido e a casa com a piscina que tanto amo não mais será nossa, vai ser vendida a outras pessoas, para que possa agora fazer parte de outras histórias de vida, espero que para essa família essa casa e principalmente essa piscina sejam tão importantes como foram para mim, pois nelas vive momentos inesquecíveis com as pessoas que, mas amei e amo na vida.

Escrito por: Narjara Santana de Sous.

Minha Paixão

Uma união marcante; irresistível.

Desde cedo, eu já rabiscava-a nos mais diversos ângulos. Sua imagem me deixava totalmente absorto. Era impressionante a forma pela qual me via seduzido por ela.

Nossos passeios eram brindados pela perfeição da paisagem – ela combinava maravilhosamente, como se fosse mais um elemento daquela composição – além da brisa gelada que curtíamos como num mergulho em um mar delicioso.

O mais simples dos mortais, nesse instante, se sente o mais poderoso dos homens em sua companhia. Suas curvas e detalhes perfeitos eram quase um milagre. Uma palavra sintetizava a união da beleza e prazer que cobria cada centímetro daquele vulcão: Felicidade. Inclusive suas marcas. Liberdade sem fronteiras era o próximo destino.

Sua sede era saciada com bebidas especiais, que lhe davam poder para irmos mais além. Ela sorvia cada gota... e o efeito... era demais! Poderosa, ela me leva às nuvens. Eram voos rasantes capazes de me fazer esquecer de todos os problemas mundanos em todos os episódios e fases da minha vida. Voo, mesmo aqui no chão, até hoje. Nutrimos-nos de toda essa emoção. Desde o primeiro dia em que a vi, foi paixão, amor à primeira vista! Um casamento perfeito!

Sob o céu estrelado de uma noite maravilhosa, quente, típica do auge do verão, em meio a todo este flashback de emoções, celebrávamos mais um ano de união. O quinto ano da aquisição da minha motocicleta. Uma magnífica Suzuki GSX R 1300 – Hayabusa!!!


Escrito por: Idailton Conceição dos Reis.

Novos vizinhos



Era uma manhã de domingo por volta das 05 horas, o sol ainda se espreguiçava, pois também havia acabado de acordar.

Ainda deitada ouvia cantos que mais parecia gargalhadas que vinham da rua. Levantei-me passei uma mão de água no rosto e abri a janela nesse momento descobri de onde vinha toda aquela euforia.

Havia chegado na minha rua um casal jovem entusiasmado com a construção de sua nova casa. O canto de alegria deles ecoava no meu jardim. Ao ouvir aquela melodia senti que nos daríamos muito bem, afinal ter bons vizinhos torna a convivência mais agradável.

Tratei de praticar a política da boa vizinhança, cumprimentei-os e lhes ofereci água e lanche (pão, biscoito e frutas). Seu João mostrara que tinha muita habilidade para construir uma casa, parecia até que era um profissional. Dona Maria também ajudava transportando os materiais necessários para a obra. Era um casal que trabalhava juntos, e compartilhavam aquele momento.

Pensei em oferecer-lhes ajuda, mas era bem provável que acabasse atrapalhando em vez de ajudá-los.

Contentei-me apenas em apreciar aquele momento, já que não são todas as pessoas que tem o privilégio de ter como vizinhos um casal de João - de - barro.

Escrito por: Karla Oliveira dos Santos.

terça-feira, 13 de abril de 2010

O grande dia



Tudo aconteceu num fim de tarde.
O sol já estava baixo quando eu tive minha primeira experiência. Era tudo novo para mim, os cheiros, os sons, a ansiedade, a boca encharcada, tudo isso fazia meu pulso acelerar e meu coração estava em descompasso, afinal era minha primeira vez. E ela não sabia.

Eu estava deitado na relva vendo formas em nuvens quando ouvi sua aproximação. Eram seis ao todo, provavelmente uma família. Estavam calmos e alegres, brincando às margens de um dos maiores lagos africanos. Eles falavam uma língua estranha, suponho que fossem estrangeiros.

Tudo não parecia mais que um piquenique, a comida ao chão, ao ar livre. Um programa bem família, supus que estivessem de férias. Estava com fome, e sua comida não me atraia.

Ninguém me viu aproximar, eu os observava por entre os arbustos. Imaginava como abordá-los, porém antes de formar um plano, ele mudara.
Talvez a filha mais velha, não sei, tenha se distraído. Ela caminhava para longe do seu grupo. Eu fui ao seu encontro, totalmente alheia a minha presença.
Estava hipnotizado pelo seu rebolado, suas pernas esguias, seu quadril largo, um corpo esbelto.

Tudo nela me atraia.
Fui então tomado por um grande impulso de possuí-la, tomar-lhe o corpo. Eu queria despi-la, destituí-la de a proteção de sua carne suculenta. Eu era doente? Não! Estava faminto apenas, estava sedento, sedento de seu corpo.
Quando estava quase lá, o vento virou a seu favor, e agora ela podia sentir minha presença,. Não hesitei! A ataquei!

Foi uma breve perseguição. A pobre gazela nem teve chance, a despi, e como era bela por dentro, devorei-a, e como era gostosa.
Naquele dia tornei-me um leão adulto.

Escrito por: Lucas Góes Silva Santos.