
Era outono. As folhas secas cobriam o chão do principal parque da cidade. Os galhos das árvores estavam nus, todas as copas haviam desaparecido. O sol brando anunciava o fim da tarde. Zusak estava comigo. Costumávamos ir até lá todas as tardes depois da aula.
Caminhávamos juntos quando uma multidão rompeu a calmaria do parque com seu coro de protestos. Era uma passeata. Aconteciam muitas delas por aqui. De repente, em pleno caos, o perdi de vista. Corri o parque com os olhos, em busca dele, mas não o via em lugar algum.
Já cansada, voltei para casa. O pensamento ainda nele. Um filme passou em minha mente de forma involuntária. Fez-me lembrar o quanto vivi ao lado daquele que sempre me acompanhava. Em pouco tempo, ele havia se tornado essencial! Recordei os nossos momentos, a sua companhia, de irmos juntos a tantos lugares, de como me perdia em pensamentos quando estava ao seu lado, do quanto que aprendi com ele e como ele conseguia ser medonho e glorioso e ter palavras amaldiçoadas e ao mesmo tempo brilhantes.
Pensei em como ele deveria estar se sentindo. Sozinho por aí. Era novo na cidade, não a conhecia bem. Havíamos sido apresentados em meu aniversário e desde então, andávamos sempre juntos. Vencida pelo cansaço adormeci. Estava decidida a procurá-lo no dia seguinte. Ele certamente estaria por lá.
Quando cheguei ao parque no outro dia, fui a procura do último lugar em que o havia visto, no momento em que o perdi de vista. Qual não foi minha surpresa quando o percebi ao lado de um banco próximo. Fitei-o de longe numa espécie de reconhecimento.
Segui em sua direção, movendo-me lentamente. O coração pulsava, minhas mãos, agora frias, suavam e não consegui reprimir um sorriso. Ao chegar, continuei a fitá-lo. Não queria piscar os olhos para não perder o momento. Sentei-me ao seu lado, ele descansava no gramado do parque. Toquei-o, sentindo sua textura, cada ranhura que só eu conhecia.
Permaneci em silêncio por um tempo. Por força do hábito, puxei-o para meus braços, apertando-o contra o peito. Então, tive certeza, que voltaríamos a ser apenas um novamente.
Escrito por: Daniela Nascimento.



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