
Após anos trabalhando em seu emprego, Carlos fora demitido, sem justa causa, uma causa injusta. Não conseguia acreditar no que acabara de ocorrer, pensava em seus filhos, na mulher, nas dívidas, um segundo, e um choro, chorava feito menino, pois, agora estava desempregado e não sabia como contaria a família.
Ao conter o choro, um sentimento de revolta surgiu e o fez pensar em algo que o livraria da angustia e da dor de não ter mais um emprego. Seria momentâneo, mas se fizesse corretamente não lhe causaria nada. Estava suado, tenso, sentia-se perdido, parecia ter o peso do mundo em suas costas, já não aguentava mais o incomodo da arma na sua cintura e a sacou, era uma pistola que havia ganho de um amigo em tempos que não tinha dinheiro nem pra comprar um pão, foi com a ajuda dela, inclusive, que conseguiu trazer um pouco de dinheiro para casa, Carlos observava a arma, pensando se valeria a pena fazer o que tinha em mente, sentado a horas naquela mesa de bar, tomando em cada copo mais uma dose de coragem, a arma posta ao lado do copo prendia sua atenção.
A cada hora que passava Carlos suava mais frio, já estava decidido sobre o que iria fazer. Naquela tarde, ele voltaria pra casa com dinheiro. Carlos Põe a arma novamente na cintura, levanta-se, paga a conta, toma um ar e sai do bar. La fora para na porta e observa crianças, na rua brincando de polícia e ladrão. Que irônico, ele pensa. Apenas uma brincadeira de crianças. Carlos abaixa a cabeça, pensa nos filhos. O que eles iriam comer agora? E sua mulher, como iria receber a notícia?
Com os olhos e rosto ainda vermelhos do choro, Carlos vê seu reflexo em uma vitrine de loja e envergonha-se, mas se mantêm confiante e decidido, e logo começa a caminhar em direção ao banco, o velho banco que mais parecia sua casa, onde ele sempre sacava seu dinheiro suado.
Parado diante da porta do banco, Carlos pensa no que iria dizer e como iria fazer, teria que ser rápido para não voltar atrás. Respira fundo, tira a pistola da cintura, tremendo um pouco, ele se esquece e passa pela porta, é soado o alarme e a porta trava. Ao longe um dos seguranças o reconhece, destrava a porta, Carlos o entrega a arma, saca o seu ultimo pagamento e na saída se despede do segurança, seu antigo colega de trabalho.
Escrito por: Kelvin Kitazawa.



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